Terça-feira, Dezembro 20, 2005

I´ll be back...


Ou em bom português: «estarei de volta». Em Janeiro.
Boas Festas e Feliz 2006.

Terça-feira, Agosto 23, 2005

Xutos Sempre


Tal como tinha dito, era para escrever sobre Vinhais. Mas a Sandra adiantou-se e acho que depois do que ela conta no seu blog - http://noquartodecandy.blogspot.com - não é preciso dizer mais nada.

Como daqui a umas horas vou à faca, aqui fica a faca que começou tudo.
Fiquem bem.

Sábado, Agosto 20, 2005

A Irmandade do Pão com Chouriço

Vaninha, SandraX, Bayleys, Buggie e Facal

Mil trezentos e vinte e dois. Podia ser uma data de referência histórica ao Império Mongol. Ou então, não! Neste caso, trata-se do número de kms que percorremos ao longo de três dias até ficar de olhos-em-bico. Mil trezentos e vinte e dois.

Eu e a SandraX saimos de Almada; o Facal e a Vaninha, do Porto; a Buggie e o Bayleys, da Damaia. Seis andarilhos com um objectivo comum; o de contribuir, mesmo em pequena parte, para que os Cinco Magnificos se sentissem “em casa”. Ninguém sabia dos planos uns dos outros e, entre nós, nem todos se conheciam. Mas os Xutos carregam, entra as suas virtudes, a máxima virtude de aproximar desconhecidos e - com o decorrer da primeira noite em Ansião - a vontade de continuar foi ganhando forma. Eu e a Sandra já tinhamos Vinhais como destino, mas ao convite para rumar à vila junto a Espanha, a reacção inicial era sempre a mesma:
- «Ansião, está bem. Mas Vinhais é tão loooooooooonge!»

O texto que se segue é o relato do primeiro dos três dias e revela-nos como a vontade encurta distâncias... e vende t-shirts pelo dobro do preço!

De Almada a Ansião, a viagem decorreu sem problemas. Ao som do CD duplo que acompanha o DVD do Pavilhão Atlântico e que o iPod da Sandra já conhece de salteado. Afinal, estar nas grades amplia a responsabilidade como “ponto” e obriga-nos a conhecer as letras melhor que o próprio Tim. O que não é dificil, como sabemos.

Chegados a Ansião, no campo onde se realizava o concerto já estavam esses "gandas malucos" da foto. A equipa técnica suava e os músicos chegaram pouco depois. Conversa puxa conversa e de tanto palavrear ao longo do check-sound, a hora do jantar foi regada com cerveja em autênticos... baldes. Nada que um enérgico matraquilhar não ajudasse a destilar. 6 a 2, não foi?

De barriga cheia e em passeio pela vila ainda tivemos tempo para ver o golo do Benfica e para provar os shots da Daniela. Não sei se por culpa dos shots ou dos baldes, mas não recordo grande coisa do concerto. Lembro melhor o antes e o depois. A memória do durante ficou-se por mais um grande momento-rock com muitos parabéns ao João e fotos à mistura. Quanto ao depois... bem, isso é melhor não contar nada senão ainda vamos presos. A Buggie e o Bayleys foram-se embora mais cedo, mas quem ficou fez bem em ficar. Da minha parte, curti desabafar com a Rita; curti abafar o espelho; curti mastigar a cerveja sem alcóol; curti abancar no banco de suplentes; curti segredar ao Kalú:
- «Amanhã, levo estes bacanos comigo para Vinhais».

Quando nos expulsaram dos camarins que foram deixados à nossa guarda, a noite parecia acabada. Ou então, não! Certo é que, às quatro da madrugada (como canta a música do passarinho), o Facal fez o favor de ressucitar a noite ao vender a t-shirt “Xutos & Pontapés Tour” pelo dobro do preço mais quatro imperiais. E que bela imperial era! O vendedor de pão-com-chouriço é que não ficou lá muito convencido com o negócio em que embarcou. Por isso, pelo sim e pelo não, é melhor o Facal levar outros artigos no concerto de Avis, feira onde o padeiro já prometeu estar presente.

Com 20 euros extra no orçamento e dois lugares vagos no carro, o Facal e a Vaninha deixaram-se mesmo sequestrar e lá partimos os quatro para Vinhais. Eles, a Sandra e eu. Mas isso foi uma aventura que só relato no próximo post.

Quarta-feira, Agosto 10, 2005

Adivinhem quem veio jantar?

[ clique na imagem para ampliar ]

Setúbal: Terra de pescadores e local de peixeirada...
Podia começar assim, em voz off, o maravilhoso anúncio autárquico que antecedeu a subida dos Xutos a palco, no passado domingo. A imagem podia até ser esta; a Tia Albertina, gente boa, na azáfama da sua profissão, ostentando orgulhosamente um "X", inicial do peixe que o povo tanto gosta.

Imaginem agora uma rua repleta de famílias exaustas de tanto procurar o local ermo onde ficava a casa-de-banho. A história que vos vou contar podia ser o guião ficcionado para esse momento de esplendor autarca cravado no ecrãn. Mas não. Aconteceu mesmo! E qualquer semelhança com a realidade, não é pura coincidência.

A tarde começou bem. Ao contrário da Feira do Leitão na Mealhada, esta Feira de Santiago tinha:
1 - Boas indicações para chegar ao local
2 - Muitas barraquinhas para distrair a vista
3 - Cerveja a 50 cêntimos no bar do motoclube "Xupa-Cabras".
Uma vez saciada a sede, resolvemos passar revista ao resto do arraial. Afinal, já eram quase horas de jantar...

As luzes dos carroséis rodopiavam ao fundo, mas o que cativou a nossa atenção foram as barraquinhas de tiro-ao-alvo. Isso é que era! Tantos Shreks e tantas Fionas com a promessa de acertar! Subitamente... um grito. E depois mais outro e outro depois. Vozes másculas e firmes, mas daquelas que se ouvem nos filmes em que o poder da razão se submete à vontade da navalha.

Mal reparámos que o protagonista de tal cena estava a dois metros de nós, e já o dono das espingardas lhe metia as mãos na cara:
- «Ai Léluuuuuuuuuuu!» - provocou o empresário.
- «Ópá! Tu não me tocas!» - reagiu o cliente.
Ora, é certo e sabido que algumas pessoas são como ferros a vapor. Reagem a quente! E também é sabido que nunca sabemos com quem estamos a lidar. Portanto, quando acusarem um feirante de ter as miras falseadas para que o cliente nunca acerte no boneco, se ele vos tratar por Lélu, NÃO LHE ATIREM COM UMA GARRAFA! Porque isso foi o que o nosso protagonista fez e o que me levou a pensar: «Estás fodido!»

Ainda os estilhaços da garrafa não tinham atingido o chão, e já o potencial alvo do arremesso tinha saltado o balcão!
- «Anda cá que te fodo!» - gritava o empresário agredido.
- «...» - respirava o cliente enquanto corria o mais depressa que podia.
- «Deixós lá, não saias daqui...» - pedia a mulher das farturas.
- «Ah não! Ele agora vai ter que as levar!» - respondia o homem das farturas.
- «Caraças!» - pensei eu - «Andei a semana inteira a dizer que o pessoal que veste t-shirts dos Xutos não faz mal a uma mosca... e agora este gajo faz isto?»

Conclusão, num ápice, a Feira de Santiago ficou em estado de sítio. Com famílias inteiras a afastarem-se - até um segurança fugiu - e um ferro a vapor da marca Xutos a ser perseguido por vinte feirantes. Aaaaai, a minha vida!

Perante a possibilidade de linchamento, não sei o que nos passou pela cabeça. Mas digo-vos que só eu, a Candy e o JP é que corremos para o salvar. Afinal, ainda que desconhecido, ele era um dos nossos, caramba! Envergava o "X" que a Tia Albertina tão bem assenta. Mas foi triste perceber que só nós três é que o acudimos, enquanto estava cambaleante e ajoelhado no chão.

Na impossibilidade de andar, já que tinha as mesmas dores que denunciam uma perna partida, o JP e eu levámo-lo ao colo (literalmente) para a ambulância que, diga-se, não tardou em chegar, mas ficou longe. Muito longe. Tão longe que aqueles metros pareciam kilómetros, com os feirantes atrás de nós e sempre a ameaçar.

Uma vez no interior da ambulância, todos ficámos mais tranquilos. Sabiamos que os bombeiros iam desempenhar o seu papel. E, como nos confidenciaram, levaram-no para o hospital, mais com o intuito de o proteger, do que com a necessidade de o curar. Afinal, a ideia de linchamento não estava só na minha cabeça.

Depois do jantar, quando finalmente fomos ver Xutos, apareceu o Facal e pensei «tu também»; apareceu o Tata e pensei «tu também»; e quando o anfitrião veio apresentar uma surpresa para aquela noite, pensei:
- «Ó filho, vens tarde. Com essa, só hoje... já é a quarta!»

Sábado, Agosto 06, 2005

Ainda o fogo posto pela TVI


Para quem não conseguiu ver o vídeo do post anterior, aqui fica escarrapachada a imagem do momento em que o incendiário fez nascer a fagulha que incendiou a mata e os nossos corações.

Quinta-feira, Agosto 04, 2005

Isto não se faz aos Xutos!




Na tarde de quarta-feira, dia 27 de Julho de 2005, a TVI exibiu mais um episódio da série criada por Virgílio Castelo, em conjunto com as Produções Fictícias, intitulada "Inspector Max". Realizado por Rodrigo Riccó, o episódio retratava as investigações para encontrar uma dupla de incendiários. Até aqui tudo bem, e todos estariamos à espera de queimar tempo com mais uma cópia do cão alemão conhecido por "Rex". De repente, na cena charneira em que a dupla de marginais é explicitamente filmada a deitar fogo a um pinhal (ver video), deparámos com um grande plano da t-shirt que o incendiário executor envergava durante o acto. Uma t-shirt dos Xutos & Pontapés ao vivo (a do álbum "Direito ao Deserto").

A Geração XP não tem nada contra a divulgação das t-shirts do melhor grupo rock português. Bem pelo contrário. Como é óbvio, também defende que todos temos o direito de gostar de Xutos. Mas a utilização da tal t-shirt - como imagem dos Xutos - para conotar quem gosta da banda com potenciais incendiários, é, no minimo, um acto de mau gosto. Nós, os que gostamos de Xutos & Pontapés, somos boa gente, senhores! Porque os próprios Xutos são gente boa e ensinaram-nos a crescer assim. A valorizar a amizade e a maldizer a violência. Seja ela contra pessoas; contra animais; ou... contra árvores!

Na televisão, como no cinema, existem figurinistas. Profissionais que estudam as vestes de cada personagem para as identificar com uma acção-reacção ou, como no caso, com um pré-conceito. Cada peça de roupa é um simbolo cuidadosamente planeado para comunicar visualmente. Ora, no episódio do dia 27 de Julho de 2005, a figurinista da série televisiva "Inspector Max" - Rute Correia, de seu nome - comunicou visualmente com os espectadores, apregoando a maior das mentiras e instigando a que qualquer andarilho com uma t-shirt dos Xutos é «um drogado», «um marginal», «um incendiário»...

Eu, porque sigo os Xutos para todo o lado e também tenho aquela t-shirt, senti-me ofendido. Eu, porque conheço a bondade que existe no coração dos 5 homens que sigo, senti-me injustiçado. Ninguém da família Xutos usaria um fósforo para pegar fogo a uma mata, senhores! Ao invés... todos dariam o seu suor para a salvar!

Sexta-feira, Julho 22, 2005

Geração X... de Xutos & Pontapés


Foi a 15 de Março de 1991 que o escritor Douglas Coupland, a meio caminho da pesquisa-reportagem ou do romance-documento, baptizou de Geração X uma geração de jovens que se “recusa a morrer aos 30 anos, esperando ser enterrada aos 70”. Jovens - os mais novos já na casa dos 30 - que recusam a fixação de um emprego que não possui “consistência suficiente”. Adultos que preferem continuar disponíveis, passando de um projecto a outro, sempre conservando o máximo de tempo possível para cultivar as actividades favoritas da sua tribo.

Alguns anos depois, uma pesquisa internacional sobre a atitude dos jovens diplomados na América do Norte, na Grã-Bretanha e nos Países Baixos, completava as descrições de Douglas Coupland. Segundo essa pesquisa:

"Recusando o compromisso em tempo integral ou durante muito tempo na mesma firma, a Geração X já não se define através da relação com o emprego, à semelhança da geração dos seus pais. Possuem um projeto pessoal mais importante que as finalidades da organização para a qual trabalham; e estão mais motivados pelas preocupações de valor ético, ou de utilidade social, do que pela ética do trabalho. Desejam um melhor equilíbrio entre a satisfação profissional, sim, mas com outros centros de interesse: os hobbies, as actividades de lazer e, acima de tudo, o tempo consagrado à família; a natural... e a dos amigos."

Hoje, com 33 anos, pertenço à última fornalha da Geração X. Talvez por isso dê tanta importância aos Xutos & Pontapés. Porque quando o resto falhava, a música deles estava sempre lá... e as palavras faziam sempre sentido.

Acompanho o trabalho da banda desde 1982 e - para mim - a geração do meu burgo passou a escrever-se com XP. Se sentes os Xutos assim, então também pertences à tal tribo... e este blog também é para ti.